A Incrível Eleanor: Scarlett Johansson estreia na direção e o resultado vai te emocionar | Crítica
Prepare os lenços. A Incrível Eleanor (Eleanor The Great) chegou ontem aos cinemas do Brasil marcando um momento histórico em Hollywood: a estreia de Scarlett Johansson como diretora de longa-metragem. A atriz que construiu uma das carreiras mais lucrativas da história do cinema — com bilheteria acumulada de mais de US$ 14,6 bilhões entre seus filmes — agora mostra que seu talento vai muito além da atuação.
O resultado? Um filme pequeno em escala, mas gigante em emoção. Protagonizado pela extraordinária June Squibb, de 95 anos, A Incrível Eleanor é uma daquelas obras que lembram por que o cinema independente é tão essencial.
Direção: Scarlett Johansson · Roteiro: Tory Kamen
Elenco: June Squibb, Erin Kellyman, Chiwetel Ejiofor, Jessica Hecht, Rita Zohar
Gênero: Drama · Distribuidora: Sony Pictures · Classificação: 12 anos
A História: recomeçar aos 94 anos
Eleanor Morgenstein tem 94 anos e acabou de perder Bessie, sua melhor amiga de mais de sete décadas — e, na prática, sua verdadeira companheira de vida. Sem rumo após a perda, ela decide deixar sua casa na Flórida e se mudar para Nova York, onde sua filha Lisa (Jessica Hecht) e seu neto Max (Will Price) moram.
O problema é que, na cidade grande, Eleanor se sente ainda mais invisível. Até que, por acaso, ela entra em um grupo de apoio a sobreviventes do Holocausto em um Centro Comunitário Judaico de Manhattan. Sem pensar muito, Eleanor começa a contar a história de Bessie — que era, de fato, uma sobrevivente — como se fosse a sua própria.
A mentira involuntária atrai a atenção de Nina (Erin Kellyman), uma jovem estudante de jornalismo que quer escrever sobre Eleanor. As duas desenvolvem uma amizade genuína e tocante, mas a verdade pesa cada vez mais. Até onde essa farsa pode sobreviver sem destruir tudo?
✅ O que brilha no filme
June Squibb é absolutamente espetacular. A atriz indicada ao Oscar por Nebraska (2013) entrega a performance de uma carreira que já dura mais de seis décadas. Ela conquista nos primeiros minutos com uma energia rebelde e um humor afiado que se transformam, gradualmente, em vulnerabilidade pura. É uma atuação que nos lembra que protagonistas não precisam ser jovens para serem fascinantes.
Scarlett Johansson demonstra sensibilidade na direção. Mesmo sendo sua primeira vez atrás das câmeras em um longa, Johansson mostra um olhar atento para as emoções humanas. Ela sabe exatamente quando segurar um close e quando deixar o silêncio falar. As cenas entre Eleanor e Nina são construídas com delicadeza genuína.
Os temas são universais e necessários. Solidão na terceira idade, a preservação de memórias, o peso do luto, a necessidade de conexão humana, a busca por propósito quando tudo parece acabado — A Incrível Eleanor toca em feridas que todo mundo carrega, independente da idade.
A química entre June Squibb e Erin Kellyman é o coração do filme. A amizade intergeracional entre as duas personagens é retratada com autenticidade rara, sem cair em sentimentalismo barato.
❌ Onde o filme poderia ser melhor
A direção, por vezes, é previsível. Como é natural em um primeiro trabalho, Johansson ainda não tem um estilo visual próprio definido. A condução narrativa segue uma estrutura bastante convencional, sem grandes surpresas no terceiro ato.
Alguns momentos são excessivamente melodramáticos. O roteiro de Tory Kamen acerta na maior parte do tempo, mas ocasionalmente força a emoção de maneira que soa manipulativa em vez de orgânica.
Personagens secundários carecem de profundidade. Chiwetel Ejiofor, um ator brilhante, é subutilizado como Roger. O mesmo vale para Jessica Hecht como a filha de Eleanor.
🏆 Cannes, Mostra de SP e a temporada de premiações
O filme fez sua estreia mundial no Festival de Cannes 2025, na seção Un Certain Regard, onde recebeu uma recepção calorosa dos críticos. No Brasil, foi exibido na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo antes de chegar ao circuito comercial. A produção conquistou 2 vitórias e 14 indicações em premiações internacionais.
🍿 O Veredito Futuro Geek
A Incrível Eleanor não é um filme que reinventa a roda. É um drama intimista, de estrutura convencional, que aposta na força das atuações e na universalidade dos temas para conquistar o espectador. E, nesse sentido, funciona lindamente.
June Squibb entrega uma masterclass de atuação que, sozinha, justifica o ingresso. Scarlett Johansson mostra que tem sensibilidade de sobra para a cadeira de diretora — e com mais experiência, tem tudo para se tornar uma cineasta formidável.
É o tipo de filme que você assiste com a mãe, com a avó, com alguém que você ama. E sai do cinema querendo abraçar todo mundo.
⭐ Nota Futuro Geek
🟢 Vale o ingresso? Sim, especialmente se você aprecia dramas humanos e atuações memoráveis. É um filme pequeno que enche o coração.
🟡 Atenção: A estreia nos cinemas brasileiros está limitada inicialmente a Rio de Janeiro e São Paulo. Fique de olho na expansão para outras cidades nas próximas semanas.
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