Romantasia: O Gênero que explodiu no BookTok e está dominando as livrarias do Brasil
Se você entrou numa livraria nos últimos meses e notou que as capas estão mais bonitas, as estantes de fantasia dobraram de tamanho e todo mundo está falando sobre "morally gray characters", você testemunhou o efeito da romantasia. O gênero que mistura romance e fantasia saiu do nicho do BookTok para se tornar uma das maiores forças do mercado editorial brasileiro em 2026.
Mas romantasia não é apenas "romance com magia". É um fenômeno cultural que envolve redes sociais, identidade visual, comunidade e uma geração de leitores que quer histórias complexas, protagonistas com agência e mundos fantásticos que não pedem desculpa por serem grandiosos. Vamos mergulhar nesse universo.
O que é Romantasia, afinal?
O termo é simples: romance + fantasia. Mas a execução é bem mais sofisticada do que parece. Romantasia é um subgênero que combina a construção de mundo da fantasia épica (sistemas de magia, realezas, guerras entre reinos) com arcos românticos intensos e bem desenvolvidos. Não é "fantasia com romance de fundo" nem "romance com cenário medieval". Nos melhores livros do gênero, os dois elementos são igualmente importantes e se alimentam mutuamente.
Pense assim: se em "O Senhor dos Anéis" a missão é destruir o Um Anel, numa romantasia a missão pode ser destruir o Um Anel enquanto a protagonista lida com uma atração incontrolável pelo vilão que forjou o anel — e ambos os arcos têm peso narrativo igual. É complexo, é emocionante, é viciante.
Como o BookTok Mudou Tudo
Antes do TikTok, o gênero existia de forma dispersa, com leitores encontrando recomendações em blogs e fóruns. O BookTok — a comunidade literária do TikTok — transformou a romantasia num movimento de massa. Vídeos curtos onde leitores reagem a cenas, fazem resenhas emocionadas e criam edits estéticos dos livros se tornaram virais, acumulando bilhões de visualizações globalmente.
No Brasil, o impacto foi brutal. As buscas por livros no TikTok dobraram nos últimos seis meses de 2025. Editoras passaram a reformular capas, acelerar traduções e criar edições especiais colecionáveis pensando diretamente na comunidade BookTok. A plataforma até lançou o concurso "Livros do Futuro", em parceria com Globo Livros, HarperCollins e Record, para descobrir novos autores de romantasia e fantasia.
Romantasia brasileira: tem e é boa
Um dos capítulos mais empolgantes dessa história é o surgimento de autoras brasileiras no gênero. O caso mais impressionante de 2025/2026 é o de Helena Lopes, autora de Roraima radicada no Reino Unido, que lançou "Ignis Lacrimosa" de forma independente e viralizou no BookTok. O livro chegou ao segundo lugar geral entre os mais vendidos da Amazon, com mais de 3 mil avaliações. A Rocco, uma das maiores editoras do país, contratou a obra.
Helena não é caso isolado. Uma nova geração de escritoras brasileiras está produzindo romantasia de altíssima qualidade, com universos originais, mitologia brasileira e indígena, e vozes que não existiam na fantasia anglo-saxã dominante. O BookTok brasileiro está descobrindo e amplificando essas vozes com uma velocidade que as editoras tradicionais jamais conseguiriam sozinhas.
A romantasia brasileira não é cópia — é um gênero encontrando sua voz em português, com mitologias e histórias que só poderiam nascer aqui.
Por onde começar: 6 Indicações
Se você nunca leu romantasia (ou se tem preconceito e precisa de um empurrão), aqui vão seis recomendações que vão do clássico do gênero ao talento brasileiro emergente.
Corte de Espinhos e Rosas
O livro que popularizou a romantasia moderna. Feyre é uma caçadora humana que se vê presa no reino das fadas. Cinco livros. Prepare-se para não dormir.
Ignis Lacrimosa
Fenômeno do BookTok brasileiro. Romantasia indie que conquistou a Amazon e agora chega pela Rocco. Orgulho nacional.
Nossos Destinos Eternos
Best-seller nº 1 do New York Times. Fantasia com sistema de magia criativo e romance que destrói o leitor (no bom sentido).
A Ordem dos Mantos Prateados
O novo livro de Steven! Uma detetive infiltrada numa gangue de magos das trevas. Lança em março de 2026 pela Galera.
O Último Desejo (The Witcher)
Pra quem quer romantasia com pegada mais dark e madura. Geralt de Rivia tem romances épicos entrelaçados com a fantasia sombria da saga.
Mais do que um gênero: Um movimento
A romantasia em 2026 transcendeu a literatura. É estética (capas douradas, edge staining, sprayed edges viraram arte). É comunidade (leitores se encontram em eventos, clubes de leitura e lives). É economia (editoras redesenharam estratégias inteiras para atender essa demanda). E é identidade — para muitos leitores, especialmente jovens mulheres, a romantasia é um espaço onde histórias femininas são protagonistas sem pedir desculpa.
O mercado editorial brasileiro está se adaptando rápido. A Bienal do Livro do Rio, que aconteceu em 2025, teve a romantasia como um dos temas centrais, com o TikTok como patrocinador máster. Editoras como Galera, Intrínseca e HarperCollins estão investindo pesado em traduções, edições especiais e descoberta de autores nacionais do gênero.
Conclusão: O futuro é fantástico (e romântico)
Se você é geek de carteirinha e ainda torce o nariz pra romantasia, considere o seguinte: o gênero está fazendo o que a fantasia e a ficção científica fizeram décadas atrás — conquistando leitores, quebrando preconceitos e provando que histórias com emoção, complexidade e mundos imaginários são literatura de verdade. A diferença é que, dessa vez, o BookTok está acelerando o processo em velocidade de TikTok.
A romantasia chegou, se instalou e não vai embora. E, sinceramente? O mundo literário ficou mais interessante por causa dela. Pega uma recomendação da lista, dá uma chance e me conta depois. Aposto um dragão dourado que você vai gostar.









